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Saúde emocional19/09/2026· Lutercio Gentil Morais dos Santos

Por que evitamos situações que nos deixam ansiosos?

Entenda por que evitar situações que provocam ansiedade pode trazer alívio imediato, mas também contribuir para a manutenção desse padrão ao longo do tempo.

Por que evitamos situações que nos deixam ansiosos?

Quando alguma situação provoca ansiedade, uma reação bastante compreensível é tentar se afastar dela.

Adiamos uma conversa difícil. Evitamos uma apresentação. Desistimos de ir a determinado lugar. Procuramos garantias antes de tomar uma decisão. Deixamos para depois aquilo que parece desconfortável.

E, muitas vezes, funciona.

Ao evitar a situação, a ansiedade diminui. Surge uma sensação de alívio e, naquele momento, parece que encontramos uma solução.

Mas é justamente aí que um ciclo pode começar.

Quando evitar traz alívio

Imagine alguém que precisa apresentar um trabalho e, nos dias anteriores, começa a sentir ansiedade: coração acelerado, pensamentos sobre o que pode dar errado, medo de ser julgado e vontade de desistir.

Se essa pessoa consegue evitar a apresentação, é possível que experimente alívio quase imediatamente.

A situação que produzia ansiedade desapareceu.

O problema é que nosso comportamento também é influenciado por aquilo que acontece depois dele. Quando evitar uma situação produz alívio, essa consequência pode aumentar a probabilidade de utilizarmos a mesma estratégia novamente.

Na Análise do Comportamento, compreender essa relação é importante porque permite deslocar a pergunta de “por que eu sou assim?” para perguntas mais úteis:

Em quais situações isso acontece? O que eu faço quando a ansiedade aparece? E o que acontece depois?

Essa mudança de perspectiva pode revelar padrões que antes pareciam simplesmente fazer parte de quem somos.

O ciclo da ansiedade e da evitação

Podemos imaginar uma sequência:

Uma situação provoca ansiedade → a pessoa evita ou escapa → ocorre alívio → evitar situações semelhantes se torna mais provável.

O alívio é real. Por isso, não faz sentido tratar a evitação simplesmente como falta de coragem ou força de vontade.

Ela pode ter sido uma estratégia que funcionou em algum momento.

A dificuldade aparece quando o alívio de curto prazo começa a produzir limitações no longo prazo.

Uma pessoa pode deixar de participar de situações sociais para não sentir ansiedade. Outra pode evitar conversas importantes em seus relacionamentos. Alguém pode adiar oportunidades profissionais por medo de errar.

Pouco a pouco, a vida pode começar a ser organizada não apenas pelo que a pessoa deseja fazer, mas também por tudo aquilo que precisa evitar para não sentir desconforto.

Evitar nem sempre é um problema

Isso não significa que toda evitação seja prejudicial.

Existem situações das quais se afastar é adequado e necessário. Também existem momentos em que respeitar os próprios limites é importante.

A questão não é simplesmente “eu evito?”, mas compreender qual função esse comportamento está exercendo e quais consequências ele produz na vida daquela pessoa.

Por isso, dois comportamentos aparentemente iguais podem ter significados completamente diferentes dependendo da história e do contexto de cada indivíduo.

Então é preciso enfrentar tudo o que causa ansiedade?

Também não.

Obrigar alguém a enfrentar indiscriminadamente situações que produzem sofrimento não é o objetivo de um processo terapêutico.

O trabalho pode envolver compreender gradualmente quais situações estão sendo evitadas, o que a pessoa teme que aconteça, quais consequências mantêm esse padrão e quais habilidades podem ser desenvolvidas para ampliar suas possibilidades de ação.

Em alguns casos, pequenas aproximações podem ser mais importantes do que grandes enfrentamentos.

Fazer uma ligação que vinha sendo adiada. Permanecer um pouco mais em determinada situação. Expressar uma opinião. Aceitar não ter certeza absoluta antes de tomar uma decisão.

O objetivo não precisa ser eliminar completamente a ansiedade antes de viver.

Pode ser aprender a construir uma vida em que a ansiedade deixe de decidir, sozinha, quais caminhos podem ou não ser percorridos.

Compreender o padrão é um primeiro passo

Quando um comportamento se repete, existe uma história por trás dele.

Investigar essa história não significa procurar culpados. Significa compreender como determinadas formas de agir foram aprendidas, em quais contextos continuam acontecendo e quais consequências contribuem para sua manutenção.

Na psicoterapia, essa compreensão pode ajudar a identificar padrões de evitação e desenvolver novas formas de lidar com situações que hoje produzem sofrimento.

Talvez, então, a pergunta deixe de ser apenas:

“Como faço para não sentir ansiedade?”

e passe também a ser:

“O que eu gostaria de fazer se a ansiedade não precisasse decidir por mim?”

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui uma consulta, avaliação, diagnóstico ou acompanhamento individual com profissional qualificado. Para orientações específicas sobre o seu caso, entre em contato com o profissional responsável pelo artigo.

Sobre o autor

Lutercio Gentil Morais dos Santos

Lutercio Gentil Morais dos Santos

PsicólogoSalvador / BA

Alguns sofrimentos parecem se repetir: a mesma ansiedade diante de determinadas situações, a autocobrança que nunca parece suficiente, dificuldades nos relacionamentos ou padrões que você entende racionalmente, mas continua repetindo. Na psicoterapia, investigamos juntos como esses padrões foram construídos, em quais situações aparecem e o que contribui para mantê-los. A partir dessa compreensão, trabalhamos na construção de novas formas de agir diante das situações importantes da sua vida. Atendo adolescentes e adultos, especialmente em questões relacionadas à ansiedade, autocobrança, autoestima, identidade, relações interpessoais, luto e habilidades sociais.

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