Psicanálise, Hipnoterapia e Terapias Holísticas no Cuidado Emocional
Este artigo apresenta, de forma acessível e educativa, as possibilidades de integração entre a psicanálise, a hipnoterapia e diferentes terapias holísticas no cuidado emocional. Explica os principais conceitos dessas abordagens e apresenta práticas como Reiki, tarot terapêutico, florais de Bach, cristaloterapia e meditação, destacando suas características, possibilidades de utilização e limites. O conteúdo também esclarece o papel das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no SUS, contribuindo para que o leitor compreenda as diferenças entre práticas reconhecidas institucionalmente, recursos complementares e tratamentos convencionais. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre diferentes formas de cuidado, incentivando uma visão integral do ser humano e uma utilização responsável dessas práticas.

CUIDAR DO SER Psicanálise, Hipnoterapia e Terapias Holísticas em uma abordagem integrativa
Por Marisa Lara Psicanalista | Terapeuta Holística | Hipnoterapeuta
Durante minha trajetória profissional, fui compreendendo que cada pessoa que chega à terapia traz muito mais do que uma queixa. Traz uma história. Traz suas experiências, seus medos, seus relacionamentos, suas perdas, seus sonhos, suas crenças, seus conflitos e também recursos internos que, muitas vezes, ainda não conseguiu reconhecer. Por isso, acredito em uma terapia que não enxergue apenas o problema, mas a pessoa que está vivendo aquele problema. É a partir dessa perspectiva que trabalho com a psicanálise e com diferentes recursos das terapias holísticas e integrativas, sempre buscando respeitar a singularidade de cada indivíduo. Não acredito em fórmulas prontas. Acredito em caminhos terapêuticos construídos de acordo com aquilo que cada pessoa necessita.
A PSICANÁLISE: compreender aquilo que existe por trás do sintoma A psicanálise, criada a partir dos trabalhos de Sigmund Freud, trouxe uma compreensão revolucionária sobre o funcionamento humano: nem tudo aquilo que pensamos, sentimos ou fazemos é plenamente consciente. Existem conteúdos, conflitos, desejos, medos e experiências que podem permanecer fora da nossa consciência e, ainda assim, influenciar profundamente nossa maneira de viver. Por isso, na psicanálise, a palavra possui um papel fundamental. Falar sobre aquilo que sentimos permite não apenas desabafar, mas começar a compreender. Por que determinadas situações nos afetam tanto? Por que repetimos determinados padrões? Por que algumas relações parecem sempre terminar da mesma maneira? Por que sabemos racionalmente que deveríamos agir de uma determinada forma, mas emocionalmente fazemos outra coisa? A psicanálise procura ir além da pergunta: “O que está acontecendo comigo?” Ela também pergunta: “O que existe por trás daquilo que está acontecendo?” E, muitas vezes, essa investigação pode permitir que a pessoa compreenda sua própria história de uma maneira diferente.
O QUE SIGNIFICA UMA ABORDAGEM HOLÍSTICA? A palavra holística está relacionada à ideia de totalidade. Olhar de maneira holística significa compreender que o ser humano não é formado apenas por pensamentos. Somos corpo, emoções, pensamentos, relações, experiências, valores, crenças e significados. Quando uma pessoa sofre emocionalmente, isso pode repercutir no corpo. Quando o corpo está sobrecarregado, isso pode afetar as emoções. Quando vivemos conflitos durante muito tempo, nossa maneira de pensar, dormir, nos relacionar e tomar decisões também pode ser afetada. Uma abordagem integrativa procura considerar essas diferentes dimensões. Isso não significa afirmar que todas as doenças possuem uma causa emocional ou energética. Significa reconhecer que o ser humano é complexo e que o cuidado também pode ser amplo.
TERAPIAS HOLÍSTICAS E O SUS É importante esclarecer uma questão que ainda gera muitas dúvidas. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, conhecidas como PICS, fazem parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde. A política foi instituída em 2006 e posteriormente ampliada. Atualmente, o Ministério da Saúde informa que 29 práticas estão institucionalizadas no SUS. Entre elas estão: • meditação; • Reiki; • terapia de florais; • hipnoterapia; • imposição de mãos; • aromaterapia; • arteterapia; • musicoterapia; • yoga; • reflexoterapia; • bioenergética; • cromoterapia; • entre outras. Isso demonstra que o próprio sistema público brasileiro reconhece as PICS como recursos complementares de cuidado em saúde. Mas existe uma palavra fundamental nessa definição: Complementares. As PICS não devem ser entendidas como substitutas de consultas médicas, medicamentos, psicoterapia ou outros tratamentos necessários. A proposta é ampliar as possibilidades de cuidado, valorizando também a escuta, o vínculo, o autocuidado e uma visão mais integral do indivíduo.
REIKI: um espaço para desacelerar O Reiki é uma prática japonesa que utiliza a imposição ou aproximação das mãos como elemento central. Dentro da tradição do Reiki, trabalha-se com o conceito de energia vital. Na minha prática, ele pode ser compreendido também como um momento de pausa, relaxamento e reconexão consigo mesmo. Vivemos em uma sociedade na qual estamos constantemente fazendo alguma coisa. Pensando. Resolvendo. Produzindo. Cuidando. Preocupando-nos. Às vezes, simplesmente parar já é uma experiência terapêutica. O Reiki pode proporcionar esse espaço de desaceleração e acolhimento. E, quando utilizado dentro de uma proposta integrativa, não precisa competir com outras formas de tratamento. Pode simplesmente ocupar seu lugar como recurso complementar de cuidado e bem-estar.
TAROT TERAPÊUTICO: quando os símbolos ajudam a revelar perguntas O tarot terapêutico é uma das ferramentas que utilizo dentro de uma perspectiva simbólica. Não o compreendo como uma sentença sobre o futuro. Para mim, as cartas podem funcionar como espelhos simbólicos. Uma imagem pode despertar uma lembrança. Um arquétipo pode provocar uma associação. Uma carta pode fazer surgir uma pergunta que a pessoa ainda não havia formulado. Em vez de perguntar apenas: “O que vai acontecer?” podemos perguntar: “O que essa situação está mostrando sobre mim?” “O que estou evitando enxergar?” “Que padrão está se repetindo?” “Que escolha está diante de mim?” Nesse sentido, o tarot pode ser utilizado como instrumento de reflexão e autoconhecimento. Não para retirar da pessoa sua capacidade de escolha, mas justamente para devolvê-la a ela.
FLORAIS DE BACH: olhar para os estados emocionais Os Florais de Bach foram desenvolvidos pelo médico inglês Edward Bach e são tradicionalmente associados a diferentes estados emocionais. Na perspectiva terapêutica complementar, podem ser utilizados como um recurso de autocuidado e de atenção às próprias emoções. É importante, entretanto, manter uma postura responsável: os florais não devem ser apresentados como substitutos de medicamentos ou como tratamento comprovado para doenças. Seu significado dentro de uma abordagem integrativa está relacionado principalmente à maneira como a pessoa observa e nomeia aquilo que está vivendo. Às vezes, simplesmente reconhecer: “Estou com medo.” “Estou insegura.” “Estou desanimada.” “Estou tendo dificuldade para me adaptar.” já representa um passo importante. Nomear aquilo que sentimos é também começar a cuidar daquilo que sentimos.
CRISTALOTERAPIA: o poder do significado Os cristais fazem parte de diferentes tradições culturais e espirituais. Na cristaloterapia, diferentes pedras são associadas simbolicamente a determinadas qualidades, como proteção, equilíbrio, coragem, tranquilidade ou clareza. Não considero responsável afirmar que um cristal possa curar uma doença. Mas acredito que os símbolos possuem significado psicológico e afetivo. Uma pessoa pode escolher determinado cristal como representação de uma intenção. Pode carregá-lo consigo como um lembrete. Pode colocá-lo em um espaço de meditação. Pode olhar para ele e recordar: “Eu preciso cuidar mais de mim.” Nesse sentido, o cristal pode adquirir uma função simbólica dentro do processo de autoconhecimento.
MEDITAÇÃO: aprender a permanecer no presente Meditar não significa necessariamente esvaziar a mente. Pensamentos continuarão surgindo. A proposta pode ser aprender a observá-los sem precisar reagir imediatamente a todos eles. Podemos perceber: “Estou tendo um pensamento.” Em vez de: “Esse pensamento é a verdade.” Podemos perceber: “Estou sentindo ansiedade.” Em vez de: “Eu sou a minha ansiedade.” Essa diferença pode parecer pequena, mas pode transformar a maneira como nos relacionamos com aquilo que sentimos. A meditação também está entre as práticas integrativas institucionalizadas pelo SUS. Dentro do processo terapêutico, pode ser utilizada como recurso para desenvolver presença, atenção e percepção de si.
HIPNOTERAPIA: acessando novos caminhos internos A hipnoterapia também faz parte da minha atuação. A hipnose terapêutica utiliza um estado de atenção e concentração ampliadas, geralmente acompanhado de relaxamento, para trabalhar determinados objetivos terapêuticos. É importante desfazer alguns mitos. Hipnose não significa perder o controle. Não significa dormir. E não significa entregar ao terapeuta o poder sobre a vontade do paciente. Em um processo responsável, a pessoa permanece participante ativa da experiência. A hipnoterapia pode ser utilizada como recurso complementar em diferentes objetivos terapêuticos, sempre considerando a história e as necessidades individuais. A própria hipnoterapia integra atualmente o conjunto das PICS reconhecidas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS.
POR QUE UTILIZAR DIFERENTES RECURSOS? Porque pessoas são diferentes. Há quem precise falar. Há quem precise compreender. Há quem precise relaxar. Há quem precise aprender a observar seus pensamentos. Há quem encontre nos símbolos uma maneira de acessar questões difíceis de colocar em palavras. E há quem se beneficie de diferentes recursos ao longo de seu processo. Por isso, minha proposta não é escolher entre psicanálise OU terapias holísticas. É compreender que cada recurso possui sua função. A psicanálise pode aprofundar a compreensão da história e dos conflitos internos. A hipnoterapia pode utilizar estados de atenção e concentração para objetivos terapêuticos específicos. A meditação pode favorecer presença e autorregulação. O Reiki pode proporcionar um momento de relaxamento e acolhimento. O tarot terapêutico pode estimular reflexão e simbolização. Os florais podem fazer parte de uma proposta de autocuidado emocional. Os cristais podem assumir uma função simbólica dentro da experiência individual. E todas essas ferramentas podem ser utilizadas com responsabilidade, sem promessas milagrosas e sem substituir aquilo que o paciente necessita em outras áreas da saúde.
O PACIENTE CONTINUA SENDO O CENTRO Para mim, nenhuma técnica deve ser mais importante do que a pessoa. Não é o paciente que deve se adaptar à técnica. É a técnica que deve ser escolhida de acordo com aquilo que pode ser adequado para aquele paciente. Por isso, o processo terapêutico começa pela escuta. Antes de qualquer técnica, existe uma pessoa. Antes de qualquer diagnóstico, existe uma história. Antes de qualquer intervenção, existe um vínculo. E talvez seja justamente esse o ponto de encontro entre a psicanálise e uma abordagem holística: olhar para o ser humano para além do sintoma. Não prometo respostas prontas. Não acredito em fórmulas mágicas. Acredito no processo. Na escuta. No autoconhecimento. Na possibilidade de compreender aquilo que nos faz sofrer e, a partir dessa compreensão, construir novas maneiras de viver. Porque terapia não é simplesmente deixar de sentir dor. É aprender a compreender a própria história, reconhecer os próprios recursos e descobrir que, mesmo quando não podemos mudar tudo aquilo que aconteceu conosco, podemos construir novas formas de nos relacionarmos com aquilo que vivemos.
MARISA LARA Psicanalista | Terapeuta Holística | Hipnoterapeuta “Cuidar de si começa quando você se permite olhar para dentro.” Uma abordagem integrativa, individualizada e humanizada para o processo de autoconhecimento.
As práticas integrativas e complementares são recursos de cuidado que não substituem avaliação médica, tratamento psicológico ou psiquiátrico quando estes forem indicados. A disponibilidade das PICS no SUS depende da organização e oferta de cada serviço e município.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui uma consulta, avaliação, diagnóstico ou acompanhamento individual com profissional qualificado. Para orientações específicas sobre o seu caso, entre em contato com o profissional responsável pelo artigo.
Sobre o autor
Marisa Lara
Ajudo a aliviar ansiedade, estresse, insônia, bloqueios emocionais, medos e sentimentos de sobrecarga. Se você busca superar traumas, dores emocionais ou falta de clareza, ofereço suporte integrativo online para devolver sua leveza e paz interior.
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