Por que você não consegue desligar a mente antes de dormir?
Você termina o dia cansada, deita na cama, mas sua cabeça continua trabalhando. Neste artigo, eu vou te explicar por que isso pode acontecer, qual relação isso tem com a sobrecarga mental e quais crenças podem estar mantendo esse padrão.

Você finalmente termina tudo.
Fecha o computador, responde a última mensagem, organiza o que precisa ser feito amanhã e pensa: “Agora eu vou dormir”.
Você deita.
E aí sua cabeça começa.
“Preciso lembrar de falar aquilo amanhã.”
“Será que aquela tarefa ficou realmente boa?”
“Eu ainda preciso resolver aquilo.”
“E se acontecer alguma coisa e eu não estiver preparada?”
Quando você percebe, já passou bastante tempo e você continua acordada.
E talvez você até pense que o seu problema é insônia.
Mas quero te fazer uma pergunta: será que, em alguns momentos, a sua dificuldade para dormir também está relacionada à necessidade de continuar no controle?
Quando eu falo de sobrecarga mental, não estou falando apenas da quantidade de coisas que você faz durante o dia.
É também sobre a quantidade de coisas que você continua carregando na cabeça depois que o dia acabou.
Você pode estar deitada no sofá com seus filhos, jantando com seu marido ou tentando dormir, mas uma parte da sua mente continua trabalhando.
E isso acontece muito com mulheres que estão acostumadas a assumir responsabilidades.
Você aprendeu a antecipar problemas.
A conferir.
A lembrar.
A revisar.
A pensar no que pode dar errado antes que dê.
E, por muito tempo, isso provavelmente funcionou.
Você foi reconhecida como uma profissional competente justamente porque presta atenção nos detalhes, resolve problemas e não deixa as coisas simplesmente acontecerem.
O problema começa quando essa estratégia deixa de ficar no trabalho e passa a acompanhar você para todos os lugares.
Até para a cama.
“Mas eu só estou tentando não esquecer.”
Eu escuto muito esse tipo de pensamento.
E ele faz sentido.
Se você acredita que esquecer alguma coisa pode trazer consequências importantes, continuar pensando parece uma forma de se proteger.
Só que existe uma diferença entre se organizar e não conseguir parar de monitorar tudo.
Uma coisa é anotar uma tarefa para amanhã e permitir que sua cabeça descanse.
Outra é precisar continuar pensando nela porque você sente que, se parar, alguma coisa pode dar errado.
É aí que a sobrecarga mental começa a afetar também o seu descanso.
E talvez você tenha percebido isso na prática.
Você até consegue dormir quando está muito cansada.
Mas, em outras noites, quando existe uma decisão importante, um problema no trabalho ou alguma coisa que você ainda não conseguiu resolver, sua mente parece ficar ainda mais acelerada.
Isso não significa que você esteja fazendo isso de propósito.
E também não significa que simplesmente “precisa parar de pensar”.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, nós podemos investigar o que está acontecendo nesse ciclo: qual pensamento aparece, o que você acredita que precisa fazer para se sentir segura e quais comportamentos você usa para tentar controlar essa sensação.
Porque talvez exista uma crença por trás disso.
Algo como:
“Se eu não conferir, pode dar errado.”
“Se eu não pensar nisso agora, vou esquecer.”
“Se eu relaxar, vou perder alguma coisa importante.”
“Eu preciso estar preparada para tudo.”
E percebe como isso muda a conversa?
Talvez você não esteja simplesmente com uma mente agitada.
Talvez você tenha aprendido que ficar em alerta é uma forma de ser responsável.
Só que você não precisa permanecer em estado de alerta para continuar sendo uma mulher competente.
Eu acredito que uma carreira de sucesso não deveria exigir que você continue trabalhando mentalmente depois que o expediente terminou.
E é justamente por isso que, no meu trabalho, eu não quero simplesmente te entregar uma técnica para “dormir melhor”.
Eu quero entender por que a sua mente acredita que ainda precisa continuar trabalhando.
Porque quando você entende o que mantém esse padrão, começa a existir espaço para construir uma relação diferente com as suas responsabilidades, com o descanso e com você mesma.
Você não precisa abandonar sua ambição.
Não precisa deixar de ser cuidadosa.
Não precisa se tornar uma pessoa que não se importa com nada.
Você pode continuar sendo excelente no que faz sem precisar passar a noite inteira tentando garantir que nada dê errado.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui uma consulta, avaliação, diagnóstico ou acompanhamento individual com profissional qualificado. Para orientações específicas sobre o seu caso, entre em contato com o profissional responsável pelo artigo.
Sobre o autor
Gleyce Ferreira de Lima Fidelis
Posso ajudar você a lidar com ansiedade, sobrecarga emocional, autocobrança, estresse, burnout e dificuldades nos relacionamentos. Na terapia, vamos compreender os padrões que estão por trás dessas dificuldades e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com pensamentos, emoções, comportamentos e situações do cotidiano. Também ofereço atendimento para casais que desejam melhorar a comunicação, compreender conflitos e construir uma relação mais saudável.
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